convite

deve ser, de fato
incontenstável
insolúvel
embora diluído
em imenso lago
que a lua
reflete

irremediável está,
aconselham todos
testemunhas oculares
dos sorrisos furtivos
inesperadas gentilezas
mesmo das proibidas flores
obliquamente cultivadas

que ânsia emerge deste maremoto
acumulam-se as lembranças em cortes múltiplos
a grande tela, a cama, o perfume
o amanhecer do porvir
o delírio do calor

diante deste imenso abismo
que une!
contemplo o impensável:
opostos antagonicamente
fundidos em lábios famintos
almas em tormenta,
espanto

como se faz doce esta dor
que rasga o peito com a lâmina fina do tempo
embala todas as manhãs o filho não feito
casa-se em todo e qualquer canto
faz juras ao vento que vier

a queda veloz neste abismo
de encontros e palpitações
esculpe vida real
ao brincar com o impossível

os litros, fumaças, labirintos
passados, escolhas, vazios
os podres e vãos desatinos
de nada importam:
são teus

menina, tão bela
dos chocolates e quietudes,
mil sonhos te contestam
entre teus sonos recortados
à procura de alguém que se costura
e não para
de renascer

me dê o lápis
que rascunho teu futuro
para te equilibrares
nas linhas

prometo fazê-lo em versos
e às vezes conto
mas sempre em juramento:
que sejas hoje
mais que outrora

hei de rir-te em cada instante
explorar teus medos
e o adiante
sem o temor
de parar

menina do mundo
que este convite seja
do tamanho do teu horizonte
e possa beber tudo o que houver
na tua fonte
onde não há olhos outros
senão para o sol
que nasce em tua pele.

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Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
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