calar

à luz âmbar, divã:
examino-me na fronteira mundo-carne – espanto.

das substâncias fluentes
textos e beijos: lamentos.

brisas noturnas ceifam o querer
aplacam em sordidez pura
qualquer dizer

perder-se nos vãos barrocos da memória,
saída provável

sonhar a dissolução da alma
pecado.

refletir, explorar os avessos
retroceder
à ré dos erros
tocar, sem medo, os dedos
do equívoco

ressurgir.

esculpir o tempo como quimera
flertar com a barbárie
para, então, civilizar-me

virar a página para trás
banhar-me de histórias já contadas
para outras revirar

ao fundo do delírio
há um par de lábios
que me mandam
calar.

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Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
Esse post foi publicado em poesia. Bookmark o link permanente.

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