invisível

no claustro da redoma,
atrás da fronteira
à sombra,
à espreita,
na fresta,
a colheita,
o passado-futuro
furta-cor

soterrada no medo
na trincheira de um texto
sob o suspirar lento do trauma
e o efeito colérico do torpor

narcótico destino-correnteza
debater-se contra a torrente
de amores, línguas, dizeres
esquivar-se inutilmente de blefes
fugir em labirintos caleidosópicos
insanidade

não há lugar na plateia:
cria um palco atrás do pano
em que sejamos inaudíveis
na discrição dos desencaixados
faça-se a compreensão mútua dos
não-ouvidos

ocupemos um território
invisível
a criar
sussurrar
gemer
em silêncio.

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Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
Esse post foi publicado em poesia. Bookmark o link permanente.

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