desconexa

rota
num amplexo desconexo
marota
latinidade flanante
imperdoável

cheira a café
a vertigem dos teus seios
suburbanos

linhas cruzadas e perdidas
os fios da tua pele, enovelados
com barrocas estruturas e bailados
um sussurro esparramado na distância

idiomas difusos em mosaico
teu palco malcheiroso, centro velho
sensual em passos-desafios
teu sumir e emergir
é tão aflito

nucas geladas à espreita das luzes
o púrpura da boca em vinhos tintos
torpor do sangue descoberto
adormecer em camas vis

rabisco com punhais deselegantes
e violência faminta, desonesta
arranho tua pele, soberana
decifro teus diários analógicos
exploro os riscos da culinária
profana

bebemos, antípodas, do medo
lançamo-nos – coragem! – em conta-gotas
sonhamos tão inconfessáveis
desencontros providenciais

oculta na multidão dispersa
reluz, à razão inversa
mil cores espalhadas num amanhecer
palavras ocultas
sem mapas
um perder-se

vulcânicas frases irônicas
insônia pululante, desafio
estúpido silêncio na calçada
à revelia do amor
desesperada

dá-me tua parte, sendo pouca
heroica tentativa
devorar
os centímetros errantes
teu caminhar.

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Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
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