sonho

são gestos
maquínicos
replicantes, severos
cortantes
língua na lâmina
navalha
adiante
sem pensar

num quadro, quadrado
estático, urbano
ao relento dos panos brancos
da escuridão

teus caminhos esquecem
enquanto me lembro de ti
tuas voltas entontecem
me fazem querer repartir

o sonho
a volta
o canto
silêncios
caronas
entre luzes, néons

entorno no entorno de mim
perdido em breves sinais
cioso no cio constante
das letras, dos rastros, dos ais

um grito banha a cidade
nos prédios quero especular
o custo da tua espera
dos sonhos que me prometeste
da via tão circular

expulso de mim: o calor
escravo de mim: só há dor
espanto de mim: um pavor
espera por mim: por favor

perfumes entorpecentes
espectros de filmes velhos
sussurrante o jazz, sobrevive
nas frestas do pleno querer

anula tua volta em tempo
dança, agora, tão livre
respira minha vida, inteira
encontra a tua por dentro
escapa da desilusão

não me deixe acordar.

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Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
Esse post foi publicado em poesia. Bookmark o link permanente.

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