festa

dedilhar páginas em branco
carinho no ar
desenhar com a ponta dos dedos
milhões de rostos
possíveis

chove: galões de cores
esbaldam sorrisos passantes
borram: exageros, errantes
escorregam nos desvios
sinais
do tempo

línguas debatidas
peixes mundanos
perdidos à vista
cantarolam destemidos
a doçura da tarde quente

os bronzes, os braços
as marchas, os passos
os dentes
expostos
espreguiçam
os mortos

rupturas
o ferro dos grilhões
purpurina-se
felinos
velhos e novos
liquefeitos, caudalosos
leito
deleite

espantos passam ao largo
prantos lívidos espiam do alto
inaudíveis, contemplam o alheio
a felicidade
o outro.

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Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
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