piano

desejei-te primeiro, em todo meu sempre
ouvir das tuas câmaras os ecos e temores
dedilhar em teu corpo a partitura, desamores
admirar teu brilho como quem resigna e consente:
como poderia, entre tuas curvas, haver lógica tão evidente?

matematizar os sentimentos em tua brancura
para no negro do espírito buscar o equilíbrio
debruçar-me em reverência aos teus graves
especular o limite da agudez ao alcançar-te

rascunhar as cenas mais tristes
desdobrar a melancolia da tua veste
fundir-me a ti, feito uma prece
em busca do perdido: nunca arrefece.

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Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
Esse post foi publicado em poesia. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para piano

  1. Késia Lopes disse:

    Que lindo! Amei

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