aposta

jorra lava dos seus olhos, sabia?
cada fio de cabelo esmurra faca, ponta de agulha
equilibra-se na rampa do caos
sabemos o fim
da borda observamos
a chama, o fundo
chama

aperta a carne, belisca o sonho que desperta turvo
coma a sorumbática inocência da sua criança
arrebenta o casulo com a lâmina da língua
explode a coleira, abre a boca, GRITA!

navega, saídas fechadas, costa distante
correntes conflitantes aproximam-se
proas, popas carcomidas, afligem, agridem, singram
sangra!
não

forma
outra, conteúdo outro, veste outra, máscara
acende a vela
senta, conversa
comigo, contigo, conosco
bebe esse vinho, sorve a vida com destreza
abraça a incapacidade, o apreço pelo não
rola nesse tapete mortal, amassa no amasso tuas
re
pressões

não pula, equilibra
atravessa os livros petulantes das suas mortes
dedilha os pianos clássicos dos seus trocadilhos
partitura binária, acaricia o brancopreto
acha outra cor nesse consorte
explica para si o sorrir maldito do espelho
entrega tudo à própria sorte
roleta esfumaçada de desejo

aposta, aposta, aposto.

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Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
Esse post foi publicado em poesia. Bookmark o link permanente.

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