o que não se vê do carro

dobrava o papel
mãos lépidas
intrépidas
tridimensionavam
o papel
faziam os dedos
mais
que
seu papel
dobravam o previsível
dobravam os sinos
dobravam
obtusa
oblíqua
mente
à guisa da
lente
do povaréu
dos túneis verdes
do borrão-breu

dobrava, calmamente
acariciava o metálico papel
dava-lhe vida
papel com alma

pois, diante dos dedos enrugados,
sorria, ébria, a menina
luz em meio aos olhares
perdidos
do vagão

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Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
Esse post foi publicado em poesia. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para o que não se vê do carro

  1. Taís disse:

    Uma linda dobradura de palavras.

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