la roja y el azul

embora iguais, diferem
vermelho e azul
somados, fazem rosa
mas, separados,
permanecem

os brados meridionais
uivam feito ais
doloridos, desiguais
pelos leitos de rio
e pinheirais

um hiato,
a linguística
nas palavras
nos toques
orgasmos
viris
etéreos

espelhos
um si no outro
que é – e sou – eu

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do dia

da noite, um dia
foi

das sombras gélidas nova-iorquinas
nos dias e
nas noites
foi

dos pesadelos em vigília
das casas brancas, ofuscantes
do azul, mar

do mundo, foi

ferina
ferina
de salto
caminha
caminho
do meio
caminho
do dia

intensa no orgulho
tão densa, no muro
observa, à noite
o silêncio maduro
do corpo distante

os passos de agulha
massacram chavões
equilibram-se em fibra tênue
sobre vãos e vulcões
acaricia e beija letras
esculpe versos, estrofes
e senões

palavras, palavras
olhos a detestarem os jogos
unhas que despem a convenção
ruma pelo caminho
do meio
em meio às leoninas tormentas
do coração

suspiro música inaudível
dedilho partitura impossível
entro feito luz invisível
pela fresta inacessível
da sua ilusão

vazias, as taças
o silêncio
tecidos revirados
a amplidão

bom dia.

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o que não se vê do carro

dobrava o papel
mãos lépidas
intrépidas
tridimensionavam
o papel
faziam os dedos
mais
que
seu papel
dobravam o previsível
dobravam os sinos
dobravam
obtusa
oblíqua
mente
à guisa da
lente
do povaréu
dos túneis verdes
do borrão-breu

dobrava, calmamente
acariciava o metálico papel
dava-lhe vida
papel com alma

pois, diante dos dedos enrugados,
sorria, ébria, a menina
luz em meio aos olhares
perdidos
do vagão

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a ponte

aponte
adiante
a fronte
afronte
adiante
o passo
aponte
a ponta
a cinza
a ponte
o passo
na ponte
a fronte
compasso
afronte
a ponte
de aço
açoite
devora
a noite
explora
açoite
asas
casas
o rio
debaixo
da ponte
o rio
caminho
o tao
o tal
do rio
sinuoso
o rio
curvo
o corpo
o rio
a curva
do ventre
da ponte
da fronte
o tempo
da têmpora
do pulso
do lusco
do fusco
da noite
da ponte
da luz
ofusco
o músculo
que aperta
a noite
na ponte
contrai
atrai
e trai
na ponte
a noite
as asas
no rio
que some
debaixo
da ponte
no instante
em que dizes
teu nome.

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